O “EU” PROFUNDO E O “EU” SUPERFICIAL

imaguaO filósofo Francês – Henri-Louis Bergson defendia a existência de um “EU” superficial – que era automatizado, espacializado, pragmático, preso a sobrevivência da vida física e consequentemente determinado e, um “EU” profundo – no qual é possível acionar o livre arbítrio e experimentar a verdadeira liberdade.

A conquista da liberdade foi o grande desafio colocado por Jesus aos seus ouvintes, por isso ele não ensinava com base no seu – “Eu superficial” que está atrelado a comodidade e a sobrevivência física,  mas no seu “Eu profundo”, no âmago, no seu espírito, na mente eterna. Se fôssemos traçar um paralelo com Freud, diríamos que seria no inconsciente, no Id.

Somos compostos de corpo, alma e espírito. Inconsciente, pré-consciente e consciente; Id, ego e superego têm alguma relação, mas sempre indicando que existe algo mais profundo e  que esse  elemento foi objeto da atenção de Cristo. Sua mensagem era profunda, partia do seu espírito para atingir o espírito humano, a parte mais profunda do ser.

Minha observação é a seguinte: a alma humana está na moda, mas o espírito não. A religião moderna está mais interessada na alma humana, porque ela se identifica muito com a superficialidade, o aparente, os dogmas, os preconceitos, e também, porque na alma  reside a parte ingênua,  na qual a sua intrínseca  vulnerabilidade permite ser impregnada com certa facilidade com as crendices, e fanatismo pueril, porque  transmite uma sensação de pseudo- segurança, uma espécie de salva vida, para quem se sente emergidos pelas águas turbulentas da modernidade.

Jesus transmitiu sua mensagem em espírito e em verdade. Ele disse: O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são – ESPÍRITO E VIDA.

Quando encontrou a mulher samaritana no poço de Jacó, ela toda formatada pela religião judaica, logo disse: Nossos pais adoravam neste monte…e a conversa sobre onde e quando se adora foi interceptada pela colocação do espírito profundo de Jesus: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” . (Jo 4. 24) Coisa para refletir, o quando e onde não importa, mas como se adora isso sim importa – a reposta foi – em espírito e em verdade.

O projeto de Cristo é fornecer sua palavra e o Espírito, para que possamos ativar o nosso lado mais profundo, sair da periferia da falsa espiritualidade que sufla o nosso ego,  para uma vida de plena liberdade, na qual é possível nadar em águas mais límpidas e profundas, num estado de espírito que se harmoniza com o amor, a fraternidade, o domínio próprio, a consciência do Eu, e a liberdade.

(F. Meirinho)

 

 

 

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