EM BUSCA DA FELICIDADE

IMG_0025O grande sonho da humanidade é encontrar a felicidade, é ser feliz. Alguns olham para trás e dizem: “eu era feliz e não sabia”. Por isso, há os que se identificam com Jó, quando disse: “Sobrevieram-me pavores; como pelo vento é varrida a minha honra; como nuvem passou a minha felicidade” (Jó 30. 15).

A falta ou a perda da felicidade, normalmente é traduzida como um acontecimento negativo, não esperado, que resulta em tristeza, lágrima e até desesperança. Como exemplo temos: a perda de um ente-querido; a doença, as privações e outras questões relacionadas a saúde mental. Quando a alma perde a paz a felicidade se ausenta. Jeremias, o profeta que sofreu profunda depressão, por antever a queda do reino de Judá, disse: “Alongaste da paz a minha alma; esqueci-me do que seja a felicidade” (Lamentações 3. 17).

Para um número considerável de pessoas, o que lhe poderá causar felicidade, é o que muitos consideram normal, como – o direito à vida, ou mesmo, a um prato de comida. Outros têm sonhos mais ousados e até  perseguem-os como um ideal de felicidade; às vezes, em detrimento à própria felicidade; são os que vivem sempre comparando de forma obsessiva.

O mestre da psicologia positiva, Martin Seligman, depois de estudar sobre a busca por felicidade por mais de vinte anos escreveu: “É tolice eleger a busca pela felicidade pessoal como a única ambição da vida”.

Quando olhamos para a vida, no seu contexto mais abrangente possível, descobrimos que, “felicidade inteligente”, torna-se privilégio daqueles que descobrem, primeiramente o que são mais essenciais: A sabedoria, a confiança e a paz. Escreveu o sábio Salomão: “Feliz é o homem que acha a sabedoria e que adquire o entendimento (Provérbioss 3. 13). Feliz é o que confia no Senhor”. (Provérbios 16. 20). Portanto, enfatizou o salmista: Há para o homem de paz um porvir feliz (Salmos 37. 37). Enquanto não houver sabedoria, conhecimento, confiança, não haverá paz e, subsequentemente não haverá felicidade.

Partindo deste princípio, procuraremos a felicidade de forma mais correta e, descobriremos que ela pode estar perto de cada um de nós, e que, é possível encontrá-la a qualquer hora, porque, a felicidade bate às nossas portas e não importa a idade, como escreveu o grande poeta brasileiro, Mário Quintana: “Somente uma época na vida de cada pessoa  em que é possível sonhar e, fazer planos e ter energia bastante para realizá-los, a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida (…). Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE, também conhecida como AGORA ou JÁ e tem a duração do INSTANTE que passa…

É curioso notar que, quando uma pessoa procura muito a felicidade pessoal, ela pode confundir a felicidade com o prazer egótico (Tendência de supervalorizar a si mesmo e consequentemente subvalorizar as outras pessoas) que tem começo, mas não tem fim. Contempla ela mesma e nãos outros, criando um verdadeiro antagonismo, porque apesar da felicidade real possuir um caráter endógeno, o processo que faz isso acontecer vem de fora para dentro. Exemplo: uma criança se torna interiormente feliz pela expressão de amor, cuidado, boa alimentação, afago, carinho, que produzem o bem-estar e, por consequencia a felicidade. Partindo desse princípio não fica difícil de perceber que um conjunto de ações  externas vindo de um outro ser humano proporciona felicidade recíproca – tanto daquele que produz, quanto daquele que recebe.

Quando uma pessoa foca apenas em ser feliz, ela pode estar sob efeito da égide de uma felicidade distorcida, mais parecido com mergulho desesperador no hedonismo cruel. (que leva a pessoa buscar o prazer pessoal, como único alvo da vida humana).

Felicidade é como uma avenida de duas vias paralelas, na primeira você recebe para ser feliz, desde a mais tenra idade; na segunda você se torna um instrumento de felicidade para o outro. Esse intercâmbio sadio é igual felicidade dinâmica e produtiva, em que você se torna cada vez mais feliz, na medida em que suas ações produzem felicidade, e isso se torna um força propulsora que faz você ficar incorporado no dar e receber, de forma ininterrupta.

Tudo isso começa com você, tendo ao longo da vida facilidade de autoaceitação. Se por acaso, isso não tenha ocorrido no processo da vida, desde a infância, é preciso ajuda psicoterapeuta para a remoção dos obstáculos que bloquearam o fluir natural da autoaceitação, sem a qual a felicidade não emerge.

De acordo com o terapeuta e escritor, John Powel, autor do livro  – felicidade um trabalho interior -, a felicidade pessoal é resultado da aprendizagem que está profundamente relacionada a autoaceitação e, quando isto ocorre, a felicidade começa a desencadear-se, porque segundo ele:

– As pessoas que se aceitam vão ao encontro de outras  com facilidade – . Temos uma natureza social, não conseguimos viver alienado da convivência humana. Ir ao encontro dos outros é como solidificar a nossa felicidade pessoal. Por mais conforto e dinheiro que se possa ter, o que marca a nossa trajetória  e fundamenta o nosso prazer real pela vida são as pessoas que conhecemos, e trazemos para dentro da esfera do nosso relacionamento.

– As pessoas que se aceitam estão sempre prontas para receberem elogios -. Receber os elogios com naturalidade prova que realmente somos amados e reconhecidos. Muitas pessoas reagem negativamente aos elogios, porque tem uma leitura distorcida, imaginando que  os mesmos representam uma ameaça ou uma forma de deboche.

As pessoas que se aceitam são autênticas – . Isto quer dizer que, não precisam de máscaras , por isso, são livres para opinarem, expressarem indignações, mas também, podem reconhecer as virtudes dos outros com muita espontaneidade.

–       As pessoas que se aceitam tem um bom contato com a realidade – . A autoaceitação desenvolve a autoconsciência e partindo dela temos uma relação com o mundo real  e capacidade para  interagirmos de forma eficiente com as questões negativas e positivas que a vida propõe. Um dos grandes problemas da humanidade tem sido a relação que ela vem tendo com a realidade, e por esta razão, não consegue lidar muito bem com isso, resvalam-se para o mundo das drogas, álcool, e toda sorte de crimes, dos comuns aos  mais hediondos, como é do nosso conhecimento.

As pessoas quando interrogadas sobre o sonho para o futuro, dizem: Desejamos um mundo mais justo, em que todos sejam mais respeitados, tenham melhores condições para atenderem suas necessidades básicas – alimento, moradia, saúde , segurança e sejam felizes.  Mas, quem quer amar a vida e ver dias felizes, com diz o Apóstolo Tiago: “…aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se para alcançá-la (1 Pedro 3. 10, 11).

Quando afastamos o mal do nosso coração, a autoaceitação floresce em nosso interior e a felicidade aparece como resultado natural. Quando falo de “mal”, não me refiro só aquilo que diz respeito a quebras de preceito religioso ou social, as ações espirituais da maldade, mas também aos conteúdos reprimidos da nossa alma.

A pessoa, antes de focar na busca da felicidade deveria focar na cura de sua alma. Uma alma permanente ferida cria  um vazio profundo no seu interior e tende a jogar qualquer coisa nesse abismo para poder preenchê-lo, sem perceber que a questão não é jogar entulho no abismo, mas, tirar o elemento invisível que está por detrás, em forma de elementos abstratos – como ressentimentos, mágoas, decepções, angústias, autocomiseração, culpas, etc., que não são tangíveis, mas reais.

O caminho para sair de situações extremadas, quando não resolvidas no meio em que vive – família, comunidade, deve-se buscar ajuda em profissionais competentes, no qual, o paciente possa ter a garantia do sigilo, para poder abrir sua alma, que é o caminho mais indicado para quem deseja encontrar a felicidade real. Nem sempre, orações, rezas e liturgias resolvem o problema do interior da alma. Ao contrário, podem se tornar fugas, resistências, que nos paralisam no mesmo lugar, apenas com sensação de solução adotada, mas não eficiente, porque é preciso ações mais profundas e pragmáticas que partam do nosso interior e que sejam nossas mesmas, explicitadas, e não a dos outros. Aqui está a razão de se constatar pessoas aparentemente boas, cristãs,  religiosas, mas profundamente deprimidas.

Relacionando teologia com psicoterapia cito o apóstolo Tiago, quando escreveu: “Confessai as vossas culpas uns aos outros para que sareis”. Sem dúvidas, ele estava indicando  um procedimento terapêutico, em que o sujeito encontra no outro – o objeto confiável e capaz, para o qual explicita a liberação da tensão, resultante dos processos de revelação de traumas ou ideias reprimidas, que tem apoio no procedimento psicanalítico, mas também concebível em múltipla relação: Social, religiosa, espiritual. Social – expressar sentimentos perturbadores e conflituosos aos pais, cônjuges, amigos. Espiritual – confessar a culpa a Deus, pedir perdão a quel ofendeu.  Religioso – aos seus lideres, pastores, padres, etc. E em caso em que, o sujeito aflito não encontre o objeto – pessoa confiável ou capaz, ou mesmo tendo feito, ainda não se sentiu satisfeito ou confortável, deve procurar os profissionais da psicoterapia. Aliás, o profissional em qualquer situação sempre será um boa referência para encontrar a resposta para as questões da saúde mental, em qualquer situação e em todo o tempo, porque ele é uma pessoa capacitada e ao mesmo tempo, confiável e que não interfere nos status do seu paciente e nem na sua fé religiosa, a menos como informação para ajudar a elucidar a perplexidade da alma.

Em minha experiência na área do aconselhamento pastoral percebia que  me tornava incapaz, em muitas situações no aconselhamento, porque a pessoa a quem me dirigia fazia parte da mesma igreja, do mesmo círculo social e isso criava uma barreira, porque envolvia, tanto o seu status-quo, quanto sua relação de sonho de ascendência de status religioso. Ou seja, presumo que o aconselhando pensasse: Como vou ser transparente a uma pessoa, que embora esteja querendo me ajudar, mas também faz parte da minha  liderança religiosa? Isso pode tornar-se o grande empecilho para que pessoas alcancem com sucesso o resultado terapêutico, por isso, reitero a necessidade, neste caso, da busca de profissional independente, mas competente, como também, os que tem certa habilidade, ou mesmo profissionais que sejam habilidosos, imparciais e humildes para indicarem outros profissionais aos pacientes e aconselhandos.

Por último, incentivo a você, que talvez conheça alguém ou esteja vivendo algum episódio doloroso, não se restrinja na busca da sua cura interior, sua alma vale mais do que o mundo inteiro, como afirmou Jesus de Nazaré.

Um dos maiores problemas da humanidade é sua visão de mundo, sua inter-relação com os outros e consigo mesmo. Tratando essas questões, o fardo fica mais leve, o caminho mais amplo, a vida muito mais exuberante e, a soma de tudo isso será – Felicidade.

F. Meirinho

https://fmeirinho.wordpress.com

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