POLÍTICA E JUSTIÇA – Você faz parte

IMG_0025Alguma coisa radical precisa ser feita, quanto a redução da maioridade penal. O bom seria se o menor infrator fosse devidamente recuperado, mas isso já está provado que não tem acontecido.

Quem não tem capacidade de recuperar o menor, deve ter coragem de impedi-lo que cometa crime bárbaro. Mais vale mantê-lo preso, enquanto não se tem instrumento adequado de recuperação, do que deixá-lo livre cometendo crime contra inocente.

Quanto vale a vida? Quanto vale a vida de um inocente? O adolescente de 40 anos atrás, que é o tempo da lei criminal vigente, é o mesmo de hoje? Não!

O problema é que o governo e seus aliados não vão incentivar à redução da maioridade penal porque não há cadeia para isso. O sistema carcerário no Brasil está em crise, como outros.  – saúde, segurança, educação, infraestrutura. A votação da MP dos portos, mostrou muito bem como anda o Brasil em termos de infraestrutura, e também do ponto de vista político. O governo sempre conta essas MPs, para adiar as grandes crises.

Voltando ao menor.  Se fosse para penalizar o menor infrator, pelo menos, nas práticas hediondas – assassinato, estupro, assalto à mão armada, deveria ser conduzido à presídios especiais, com estruturas mais adequadas para essa faixa etária. Mas, até onde temos informações, se o Brasil fosse prender os criminosos em 2014, que irão cometer crimes em 2013, teriam que soltar todos os presos, esvaziar os presídios e enchê-los novamente. Li recentemente que há no Brasil em torno de 580 mil presos, 170 mil a mais do que o sistema carcerário permite, sem contar com 175 mil mandados de prisão a ser cumpridos, que não acontecem, pela incapacidade estrutural.

Esta semana li notícias sobre mobilização social, em algumas cidades para incrementar sistemas de segurança comunitária. Estamos longe de soluções plausíveis.

Enquanto não houver maior conscientização política, a sociedade vai pagando caro por sua negligência e pela omissão do estado. A democracia  é mascarada pelo sistema eleitoreiro. O que o povo pensa e quer, não é o mesmo que o governo deseja. O congresso nacional é constituído de 82% de aliados do governo. Faça a seguinte leitura: Se o governo pensa diferente do povo, vai agir de acordo com o apoio que lhe dá o congresso. De outro lado, apesar de o povo escolher “livremente”os seus candidatos, normalmente, por falta de maior participação e conscientização política, votará em quem tem mais mídia. E você sabe quem tem mais mídia? Exatamente aqueles que não representam os interesses do povo, e sim, dos sistemas financeiros poderosos. Quem tem mais mídia, são os que legislam sobre a maioria.

Em síntese: Você vota no candidato da mídia, e ele sendo eleito vai representar os interesses de seu padrinhos – as grandes corporações financeiras. Dicas: 1) Nós brasileiros precisamos primeiramente escolher um partido político, que se não for o melhor, optemos pelo menos pior, porque o candidato eleito, ele representa o seu padrinho, depois o seu partido, e por último os seus eleitores. Nesse caso, o cidadão fica um pouco representado pelo partido que escolheu. 2) Votar em quem tem menos mídia. O raciocínio é o seguinte. Menos mídia, mais representação partidária,  é igual maior representação social.

Por que acho que é mais razoável votar no partido, e depois no candidato? A instituição é uma só, ela permanece, mas o candidato são muitos e flutuam. A instituição partidária, sendo mais cobrada, será mais séria e buscará candidatos compatíveis com sua ideologia, e com sua postura. Neste caso, primeiramente cobraremos do partido, depois do candidato. Esta forma de agir e pensar, poderá acelerar a reforma política almejada, que não acontece, apesar de estar tramitando no congresso há mais de dez anos, porque esse sistema babilônico vigente, favorece os políticos corruptos e ávidos pelo poder e por outros interesses.

Votar em um partido, cobrar do partido, identificar-se com um partido, votar no candidato preferido do seu partido, impedirá que o mesmo faça alianças espúrias, interesseiras, contraditórias, fisiológicas, que na maioria das vezes, em nada representam os seus eleitores. Se o fizer, será punido na eleição seguinte, e o seu candidato preferido também será cobrado.

Produzimos uma cultura do voto acéfalo. O que é o voto acéfalo? É aquele em que o cidadão vota no presidente de um partido, no senador de outro partido e no deputado de um terceiro partido.  Qual é o resultado disso? Uma grande confusão política e partidária, que leva o executivo e demais partidos fazerem as mais bizarras negociações.

A sociedade precisa se mobilizar mais, do ponto de vista  político. Explicar como funciona a política brasileira nas escolas, nas comunidades de bairros, clubes, igrejas, etc, pode ajudar no processo de conscientização política, que a meu  ver é o grande entrave que impede de termos um Brasil mais justo, competitivo, coerente e inteligente em todos os âmbitos. Precisamos conhecer mais sobre política e menos sobre politicagem.

O coração de uma grande nação está na forma como seu povo se manifesta politicamente. O resultado disso será uma democracia  madura, em que os governos e as leis sejam reflexos da participação e anseios da sociedade, composta de cidadãos responsáveis, que exerçam de fato sua cidadania, também no exercício inteligente do voto, para evitar, o que escreveu Paul E. Holdcraft: “Os maus políticos são eleitos pelos bons cidadãos que não votam”. Talvez o sentido seja, que não votam de forma consciente, como exige um sistema democrático.

E daí, o que você pensa?

(F. Meirinho)

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