EU ESTAVA ENGANADO

Imamanifesto1Olhava para a situação lamentável das políticas públicas do Brasil. Hospitais se deteriorando, corrupção em todas as camadas políticas, a saúde pública morrendo, a educação em má condições: Estrutura, professores mal remunerados, cursos universitários visando apenas o financeiro, etc, e diante de tudo isso, parecia que a sociedade estava paralisada, apática.

Estava enganado!

Os nossos jovens, me dava a impressão, que tinham optado pela indiferença total, do ponto de vista de sua participação política, e optado pelo hedonismo: trabalhar para gastar no prazer. Parecia que uma parte tinha se definido, apenas ao amor ao futebol, novelas, baladas, álcool, drogas, músicas sertanejas/universitárias, forró, funk, etc.

Do outro lado, os puritanos, os católicos, os evangélicos, religiosos de todos os naipes, uns achando que esse era o grande carma, e outros pensando que as coisas estão assim porque Deus, ou os deuses estavam permitindo, achando que a solução de tudo estava na divindade, na liturgia, nas rezas, nas orações e que o Deus dos céus resolveria todas as mazelas políticas e sociais, a seu tempo.

Estava enganado.

Na mídia social, pouco se via de mensagens intervenientes de cunho político-social. Então, lamentava e pensava: Se os adultos estão desistindo da luta democrática, e os nossos jovens optam pela indiferença, nosso futuro é sombrio. Porque a democracia que é exposta, não representa a vontade do povo. Democracia em que o “demo” é governado/manobrado pela “cracia” de uma classe dominante, é ditadura cruel.

Estava enganado.

Hoje pensei: de onde surgiram toda estas manifestações? Dos 20 centavos, não. Jamais pensei que 20 centavos simbolizasse tanto! Por trás de uma pequeno valor, estava um grande símbolo, de onde partiram a exposição das várias causas. Será que os 20 centavos representavam um fragmento do conteúdo reprimido? Era necessário, pela timidez contida, que a grandeza da manifestação começasse por um pequeno valor, mas mostrando que toda ruína política brasileira está relacionado ao dinheiro?

Continuei pensando: Estamos vivendo na profetizada aldeia global, e os jovens são mais suscetíveis às transformações. Mas, os jovens em outras partes, estão sem perspectivas de futuro, considerando as ondas funestas da economia global.

Continuei pensando: É a nova onda do mal-estar da civilização, que deixa de ser coisa do velho continente para envolver todo o planeta, porque apesar das misérias no mundo, há um percentual privilegiado que, não importa como: Trapaceando, corrompendo, enganando, usando qualquer instrumento – falsas promessas, mentindo em nome de qualquer coisa – direitos humanos, religiões, e várias formas de Ongs – tudo com o mesmo fim – forjar, enganar, buscar enriquecimento, à custa dos mais fracos.

Estava enganado.

De repente aparece uma multidão de pessoas  indignadas, que abandonam a passividade e resolvem dizer – Acordamos! Estamos vivos! Estamos aqui! Queremos justiça! Estamos contra as mazelas e o menosprezo que se está dando aos menos favorecidos, a tudo o que é essencial à vida.

E os vândalos! Qual é o recado que deixam? Depredação, roubos? Eles, apesar de deixarem o que repugnamos, dizem inconscientes: Somos o resto, somos os esquecidos, os marginais que o sistema sócioeducacional não está atingindo. De qualquer forma, todos se expressaram – uns conscientemente defendo causas, e outros apenas mostrando o que são. Ainda bem que foi a minoria, porque a maioria exercia com inteligência a sua cidadania dentro dos direitos legítimos.

A maioria é jovem.

Eu estava enganado.

F. Meirinho

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O BRASIL PERDEU O BONDE

ImabondeO povo ficou na expectativa durante os últimos 10 anos para ver o que os governos e os políticos fariam com o Brasil, enquanto o bonde da prosperidade passava nos trilhos dos emergentes.

Dá-nos a impressão que a classe política, no lugar de investir no Brasil, no povo, resolveu investir no poder. Parece que, garantir o poder era o maior trunfo. Em função disso, muitos programas eleitoreiros foram articulados, que envolveram milhões e fez a dívida pública duplicar.

Parece que o bonde passou e o povo percebeu que não será mais contemplado.

A infraestrutura parou, a saúde pública piorou, a segurança se tornou insegura, a educação estagnou, e o povo acordou assustado.

Assustado, resolveu protestar, sem saber bem, qual o ponto a ser focado: Saúde, segurança, corrupção, estranhas manobras no congresso, educação, infraestrutura, verba da união  na construção dos estádios? O futebol sempre foi um elemento alienador, mas o povo está dizendo que esse tempo passou.

Se manifestar contra o quê? Se fosse para manifestar contra tudo, poderia não ter efeito, aí resolveu pegar um ponto, não muito interessante, comparado com outros grande problemas – o preço das passagens de ônibus. Talvez inconscientemente, ouvindo a voz do coração, pensou: vamos começar por aqui. Agora, outros elementos estão sendo inseridos.

As manifestações populares pacíficas são grandes ferramentas que a população pode usar para chamar a atenção dos governos e políticos, mas é preciso que, sejam convergidas para as urnas, a fim de mostrar, de forma mais contundente sua consciência política.

No Brasil, quando o interesse do povo, não se afina com o interesse do poder, como no caso do impeachment de Collor, as manifestações pacíficas acabam não demonstrando muita força, por isso, os manifestantes precisam demonstrar este protesto na hora do voto, seguindo o exemplo de países que alcançaram um patamar social mais condizentes com os seus anseios.

Hoje, as manifestações no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo, pode ter mostrado um pouco, duas coisas: a desesperança dos brasileiros no sistema político vigente, e, que, a população precisa com urgência, reagir, acordar-se para a realidade.

O Brasil pode ser melhor, se a população utilizar a força que a democracia lhe garante. Para isso, deve pagar o preço da conscientização e participação, fugir da alienação política, produzida pelo conformismo políticossocial, advindo de idéias filosóficas e religiosas retrógadas, que mantém o povo cheio de otimismo enganador e distante da realidade pessoal e nacional. Este conhecimento, não obstante ser doloroso, mas é o que pode produzir responsabilidade, consciência, libertação e progresso. Pense!

(F. Meirinho)